Gestão de Carteiras: Discricionária vs. Não Discricionária para o Profissional de Investimentos
Gestão Discricionária de Carteiras
A gestão discricionária de carteiras é um modelo onde o gestor financeiro possui autoridade total para tomar decisões de investimento em nome do cliente, sem a necessidade de consulta prévia para cada transação. Essa autonomia abrange a seleção de ativos, o momento de compra e venda, e o ajuste da alocação de ativos de acordo com os objetivos, perfil de risco e condições de mercado. O gestor opera dentro de um mandato pré-estabelecido, que define os limites de atuação e as diretrizes gerais da carteira.
As principais características da gestão discricionária incluem:
- Autonomia do Gestor: O profissional tem liberdade para executar estratégias de investimento.
- Tomada de Decisão Ágil: Permite reagir rapidamente às oportunidades e riscos do mercado.
- Confiança no Gestor: Baseia-se em uma relação de alta confiança entre cliente e gestor.
- Responsabilidade: O gestor é responsável pelo desempenho da carteira, dentro dos parâmetros acordados.
Este modelo é comum em fundos de investimento, onde o gestor toma decisões para um grande número de cotistas, e em carteiras geridas para clientes de alta renda (Private) ou institucionais.
Gestão Não Discricionária de Carteiras
Em contrapartida, a gestão não discricionária de carteiras exige que o gestor consulte o cliente ou o comitê de investimento antes de executar qualquer ordem de compra ou venda. O gestor atua como um consultor, oferecendo recomendações e análises, mas a decisão final cabe ao cliente. O gestor pode sugerir quais ativos adquirir ou vender, mas a aprovação é sempre necessária.
As características da gestão não discricionária são:
- Aprovação do Cliente: Cada transação requer a aprovação explícita do cliente.
- Papel Consultivo do Gestor: O gestor fornece recomendações e análises.
- Controle do Cliente: O cliente mantém o controle final sobre todas as decisões de investimento.
- Menor Agilidade: O processo de tomada de decisão pode ser mais lento devido às consultas.
Este modelo é frequentemente utilizado por clientes que desejam ter um papel ativo na gestão de seus recursos ou para gestores que não possuem a autoridade formal para movimentar os ativos do cliente.
Implicações para as Certificações Anbima
Com a evolução das certificações Anbima, especialmente com a introdução do novo ciclo a partir de 2026, a compreensão desses modelos de gestão torna-se ainda mais crucial. Profissionais que almejam as certificações C-Pro R (equivalente à antiga CPA-20) e, principalmente, C-Pro I (equivalente à CEA), precisam dominar esses conceitos para atuar com excelência no mercado de varejo, alta renda e de investimentos.
O conhecimento sobre gestão discricionária e não discricionária é fundamental para:
- Entender a estrutura de prestação de serviços financeiros.
- Identificar o modelo de gestão mais adequado para cada tipo de cliente e produto.
- Cumprir com as responsabilidades e limites de cada tipo de mandato.
A preparação para a CPA (Certificação Profissional Anbima - Varejo), que servirá como base obrigatória, já introduz os fundamentos essenciais para futuras especializações.
Dica de Prova
Na prova, diferencie claramente os papéis do gestor e do cliente em cada modelo. Fique atento a situações onde a autonomia do gestor é limitada pelo cliente ou por um mandato específico.